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Trilhas estelares (Lubbock, Texas, 19/1/2013). Foto: Tif Holmes
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SÃO PAULO, CIDADE INVISÍVEL
Texto e fotos: Bia Ferrer
“É madrugada, mas São Paulo nunca adormece por completo. A foto revela um lugar vivo e ao mesmo tempo dormente. Assim como Gotham City, a cidade fictícia criada para as histórias em quadrinhos da DC Comics, qualquer pessoa em qualquer cidade se identifica com ela. [...] A cidade é São Paulo, mas poderia ser qualquer outra grande metrópole, a nós não é possível distingui-la. Sabemos apenas que é noite. É noite em Gotham…”
INSIDE OUT SÃO PAULO: HUMANIDADE COMPARTILHADA
Texto e fotos: João Macul
“A Favela do Moinho pegou fogo em 2011. Muitos moradores ficaram desabrigados e muitos ainda têm trauma das chamas que consumiram seus lares. Dona Zefa, por exemplo, criou o hábito de deixar uma mala com um “kit essencial” próximo à saída do barraco. Ainda no incêndio, alguns morreram. Entre vítimas estão seres humanos; entre acusados estão o descaso e a especulação imobiliária. O dia termina bastante frio e saímos do Moinho com alguns retratos e muitas histórias. Na minha bagagem saio com um retrato um pouco mais amplo de humanidade, cuja realidade se estende muito além das varandas de casas seguras e sacadas de grandes apartamentos.”
ARTE ABSTRATA E CRIATIVIDADE NATURAL (M)
Texto e imagens: Dzigar Kongtrül Rinpoche; tradução: Carlos A. Inada
“Mesmo que aspiremos à iluminação, se não apreciarmos o potencial e a expressão de nossa criatividade natural — que são todos os fenômenos — e confiarmos neles, e procurarmos a iluminação em outro lugar, nosso caminho espiritual se tornará dualista. É uma tendência do ego tentar organizar os fenômenos de acordo com nossas preferências em vez de apreciá-los pelo que são. Essa abordagem conduz-nos a ter ressentimento por certas experiências e buscar uma iluminação — ou criatividade — divorciada daquilo que encontramos diretamente. Ter ressentimento pela experiência e ter ressentimento pela vitalidade natural da mente impede-nos de ter confiança na plenitude da maneira como os fenômenos se desdobram. Então precisamos ver esse potencial primordial em todas as nossas experiências.”
CARA A CARA COM ALLEN GINSBERG
Texto: Allen Ginsberg entrevistado por Jeremy Isaacs; transcrição: The Allen Ginsberg Estate; tradução: Carlos A. Inada; desenho: Allen Ginsberg; foto: Cliff Fyman
“Vi Bob Dylan algumas semanas atrás e ele dizia… ‘Quem controla todo o dinheiro? Quem controla os meios de comunicação?’ Viajando ao redor do mundo, ele nota que todos os meios de comunicação têm uma nova história por semana, e alguém está dirigindo isso. E ‘quem controla todo o dinheir?’, ele dizia. E era como se ele soubesse que tem o grande poder de influenciar a psique das pessoas, ou sua mente, ou o pensamento, ou a psicologia, ou a capacidade de ter opiniões fortes, e no entanto o poder dele era minúsculo, comparado com o poder dos magnatas dos meios de comunicação. E nos Estados Unidos são apenas 22 pessoas que administram… que controlam… 80 por cento dos meios de comunicação, assim… seria muito difícil para um poema… para um poeta… vencer essa barreira de besteiras. Por outro lado, a poesia é o único lugar onde se tem uma pessoa individual contando sua verdade subjetiva, o que ela realmente pensa, como algo distinto do que ela quer que as pessoas pensem que ela pensa.”
APENAS UMA RESPIRAÇÃO: A PRÁTICA DA POESIA E DA MEDITAÇÃO (M)
Texto: Gary Snyder; imagem: Marcos Calatroni; fotos: Allen Ginsberg
“Pessoas incultas deliciam-se no estardalhaço e na novidade. Pessoas cultas deliciam-se no comum”. Essa simplicidade, essa realidade comum, é o que os budistas chamam de quididade, ou tathata. Não há nada especial na realidade, porque ela está toda exatamente aqui. Não é preciso chamar atenção para ela, apresentá-la vividamente e exibi-la. Portanto, o tema derradeiro de uma poesia budista “mística” é profundamente comum. Essa elusiva realidade comum que é tão tocante e refrescante, toda revolvida em imaginação e linguagem, é o trabalho de todas as artes.
IDEIAS SÃO COISAS: O SUTRA DO CORAÇÃO PARA CRIANÇAS
Texto: John Pappas; ilustrações: Ed Cross
O Sutra do Coração é recitado diariamente em muitos templos e lares budistas e faz parte da tradição mahayana. É frequentemente cantado em ritmo uniforme, no qual cada sílaba equivale a uma batida. Embora crie uma maravilhosa experiência na prática em grupo, isso é um problema quando os pais querem transmitir esse conceito para os filhos. Esta versão de John Pappas, ilustrada por Ed Cross, tenta criar uma leitura que seja mais agradável para pais e filhos. Algo que possa ser cantado e dançado com vigor e intensidade infantil.
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NADA É VERDADE: WILLIAM BURROUGHS E O BUDISMO (M)
Texto: James Grauerholz; fotos: Allen Ginsberg & Gary Mark Smith
“William Burroughs não era budista: nunca buscou ou encontrou um ‘mestre’, nunca fez o voto de refúgio, e nunca fez nenhum voto de bodhisattva. Ele não se considerava budista, e, no que diz respeito a isso, tampouco se declarou seguidor de qualquer fé ou prática. Mas tinha consciência dos fundamentos do budismo e, à sua própria maneira, era afetado pelo dharma do Buda.”
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O SOL DO GRANDE LESTE: RECORDAÇÕES DE INFÂNCIA
Texto: Monty McKeever; foto: Lee Weingrad; ilustrações: Peter Cross
“Trungpa Rinpoche era um professor extraordinário. O que o fazia tão extraordinário era como ele expressava a sabedoria atemporal do budismo tibetano com o calor e o brilho do amor incondicional por seus alunos. Apesar de nossas variadas neuroses, ele tinha uma confiança alegre, gentil e inabalável em nossa natureza desperta inata, na bondade fundamental de todos os seres humanos. O poder desse amor transformou nossas vidas. Inspirou em nós a confiança em que, independentemente das dificuldades que enfrentamos, sanidade, gentileza, humor e amor estão sempre ao nosso alcance. ‘Sol do Grande Leste’ era como ele chamava essa fonte constante de brilho e esplendor. ‘Grande’ porque somos todos maiores que nossa mesquinhez habitual. ‘Leste’ no sentido em que o sol nascente está sempre se levantando; há sempre ao nosso alcance uma visão orientada para a frente, esse é um recurso sempre presente. ‘Sol’ porque essa sabedoria inata ilumina as trevas da ignorância, aquece o coração frio, covarde e solitário. Isso não era teoria. Não era abstrato. Era assim que nos sentíamos em sua presença, sendo alunos seus.” (Acharya Norbu McKeever)
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A COR DO CÉU (M)
Texto: Andy Karr; fotos: Michael Wood
“O que significa dizer que sabemos qual é a cor do céu? Bem, todos sabem que o céu é azul. Mas o que isso significa? Quando olhamos para o céu, ele nunca tem apenas uma cor, ainda que atribuamos a suas muitas cores apenas um nome. Quando o céu está claro, ele sempre é de um espectro de azuis. Algumas partes têm tons de um azul mais claro, e outras um tom mais escuro. À medida que o dia avança, a cor do céu muda. Quando há nuvens no céu, as cores também são diferentes. Quando dizemos que sabemos qual é a cor do céu, esse saber poderia ser um pensamento ou um rótulo, ou poderia ser a experiência direta de ver o céu. [...] A fotografia contemplativa é um método para trabalharmos a mente e o olho. É um treino que nos ajuda a conhecer as coisas diretamente, e a produzir imagens sem ardis.”
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HOMEM COMUM ENFIM: DUAS CONVERSAS COM JOHN CAGE (M)
Texto: John Cage, Laurie Anderson, Alan K. Anderson & Robert Coe; fotos: Zsolt Zsoló Kóté
“Tenho medo da educação atual. É o mesmo medo que tenho do governo, porque penso que os dois estão em conluio ― com a lei, que é errada. A lei é claramente errada porque toma decisões em favor dos ricos, e não gosta da pobreza. E, curiosamente, ela está no lado oposto de todos esses ensinamentos que estão ao lado da pobreza, se podemos falar nesses termos. É por isso que eu já tinha a disposição de aceitar o ruído como silêncio. Assim, independente de quão ruidoso seja o tráfego, ele não perturba o silêncio. Pediram que eu trabalhasse com crianças e seus professores na área musical, na França. E eu não ensino; não é a minha prática, então, o que posso fazer? O segredo é que tenho de encontrar uma maneira de não ensinar, e descobrir o que eles podem saber.”
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MEDITAÇÃO (M)
Texto: Chögyam Trungpa; fotos: Zsolt Zsoló Kóté
“Ao observar o papel da prática da meditação sentada na percepção artística, deveríamos tentar compreender como a prática da meditação altera a maneira como nos relacionamos com o mundo: ela altera nosso sistema visual, auditivo, assim como nossa fala. O modo como olhamos para alguém depende da confiança e de quanto queremos olhar para tal pessoa. Quando projetamos nossa voz, fica bastante claro o grau em que queremos nos expor. Assim, gostaria de deixar bastante claro que aquilo de que estamos falando não é puramente estético. Muitos artistas tentam apresentar algo bonito e agradável, florido, polido. No entanto, não estamos tentando ser abertamente polidos ou estéticos — ou, nesse sentido, abertamente rudes. A ideia é que a maneira como nos comportamos e o modo como trabalhamos com as percepções do sentido têm origem no budismo puro e simples. Poderíamos chamar isso de natureza búdica.”
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DUPLAS PODEROSAS: JOSH SHENK E O GÊNIO DAS ALIANÇAS CRIATIVAS (M)
Texto: Steve Silberman & Joshua Wolf Shenk
“Nossas melhores ideias emergem em diálogo com as ideias de outros. Quais são as implicações dessa noção da natureza múltipla do ‘eu’?” “As implicações são profundas e fundamentais ― não apenas para a psicoterapia, mas também para nossa maneira de lidar com situações quando as coisas dão errado na vida humana, assim como quando elas dão certo. Nossos modelos de medicina e de saúde mental têm como foco obsessivo o indivíduo. Somos levados a acreditar que virtualmente tudo o que necessitamos saber sobre nós pode ser localizado no interior de nosso cérebro, como se fôssemos astronautas flutuando sozinhos no espaço. Mas a maior parte do que nos afeta tem a ver com relacionamentos e como eles estão ou não funcionando. A maneira mais rápida e poderosa de afetar o cérebro é através da química interpessoal ― trocas mútuas positivas, úteis, afirmativas.”
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O PROFESSOR CONTEMPLATIVO (2) (M)
Texto: Lee Worley; fotos: Zsolt Zsoló Kóté
“Ferramentas de ensino podem ser aprendidas, mas a mente e o coração que as usam se manifestam quando desenvolvemos bondade amorosa por nós mesmos e a disposição de compartilhar com outros o coração terno da tristeza e a solidão. O cultivo dessa presença inevitavelmente sugerirá ferramentas para o aprendizado contemplativo que serão as mais eficientes em um dado momento. E, caso elas não tenham o efeito desejado, essa mesma bondade amorosa e confiança destemida permitirão que deixemos esse dia para trás e nos relacionemos com o dia seguinte como um novo começo. Praticar com sinceridade e com a aspiração de tornar-nos gentis é uma ação contemplativa. Ter a visão de longo prazo é ter uma visão contemplativa.”
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O PROFESSOR CONTEMPLATIVO (1)
Texto: Lee Worley; fotos: Zsolt Zsoló Kóté
“ ‘Educação contemplativa’ é uma expressão crescentemente popular na educação superior nos Estados Unidos. Isso não me surpreende. Há trinta anos, Chögyam Trungpa, mestre tibetano de meditação que havia sido transplantado para os Estados Unidos, identificou o que não estava funcionando no sistema educacional do país e, como consequência, fundou o Naropa Institute. Percebeu que a educação deve falar ao todo da pessoa, treinar corpo, mente e espírito, e também treinar a relação de corpo, mente e espírito com o meio na escala mais ampla possível. Isso era verdadeiro na época, é verdadeiro hoje e continuará a ser verdadeiro à medida que avançarmos pelo século XXI. Surpreendentemente, levou algum tempo para que o sistema educacional norte-americano reconhecesse essa necessidade de uma educação que transcenda a informação factual em áreas delimitadas de especialização e, em vez disso, tenha como foco a transformação de todo o ser e de sua relação com seu mundo. Esse é um aprendizado que inclui a reflexão tanto quanto a análise, tem como foco o crescimento pessoal tanto quanto o domínio de habilidades, desenvolve tolerância pela ambiguidade, abertura para rever suas posições, a imaginação como caminho tão importante para a compreensão quanto a argumentação racional. A questão é: como podemos oferecer tal educação?”
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LINHAS BRANCAS
Texto & música: David M. Smith; foto: Corey N. M. Kohn
“Por muitos anos tive a ilusão de que havia alguma maneira de evitar a primeira nobre verdade do Buda. Se eu fosse capaz de organizar as condições em minha vida da maneira certa, poderia experimentar o prazer e evitar a dor, se não o tempo todo, ao menos a maior parte dele. Busquei esse refúgio nas drogas, no álcool, no sexo, nos aplausos, na fama e em qualquer objeto ou substância que resultasse em gratificação imediata. Agarrava-me a isso, desejava isso de maneira constante e consistente, acreditando que traria felicidade e prazeres permanentes. De muitas maneiras estava viciado pela experiência do prazer. É desse desejo constante que o Buda trata no ensinamento da origem dependente, e fundamentalmente ele era a causa de todo meu sofrimento. Paradoxalmente, perseguir o prazer e evitar a dor resultou em tanto sofrimento que finalmente tive de render-me à verdade. Tinha de enfrentar a mentira que por muito tempo havia contado a mim mesmo. ‘White lines’ [‘Linhas brancas’] é uma música sobre dor e redenção. Representa minha total admissão e reconhecimento da primeira nobre verdade ― a de que nesta vida existe sofrimento.”
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O FUTURO DA CIÊNCIA… É A ARTE? (2) (M)
Texto: Jonah Lehrer; fotos: Kimbell Art Museum/Corbis; The Bridgeman Art Library/Getty Images; Francis G. Mayer/Corbis
“As ciências devem reconhecer que suas verdades não são as únicas verdades. Nenhuma área de conhecimento tem isoladamente o monopólio do conhecimento. Como Karl Popper, eminente defensor da ciência, escreveu, “é imperativo que desistamos da ideia de fontes absolutas de conhecimento, e admitamos que todo conhecimento é humano; que ele se mistura com nossos erros, preconceitos, sonhos e esperanças; que tudo o que podemos fazer é tatear pela verdade embora ela esteja fora do nosso alcance”. O embate pela verdade científica é longo e árduo, e nunca terá fim. Se quisermos ter uma resposta para nossas questões mais profundas ― questões como quem somos nós e o que tudo é ―, precisaremos fazer uso tanto da ciência como da arte, de modo que uma complete a outra.”
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O FUTURO DA CIÊNCIA… É A ARTE? (1)
Texto: Jonah Lehrer; fotos: Christie’s Images/Corbis; The M.C. Escher Company;Alinari Archives/Corbis
“O que é tudo? E quem somos nós? Antes de poderem desvendar esses mistérios, nossas ciências têm de ultrapassar suas limitações presentes. Como podemos fazer com que isso aconteça? Minha resposta é simples: a ciência necessita das artes. Precisamos encontrar um lugar para o artista no interior do processo experimental, redescobrir o que Bohr observou quando olhou para aquelas pinturas cubistas. As limitações correntes da ciência deixam claro que a fenda entre nossas duas culturas não é meramente um problema acadêmico que sufoca as conversações em coquetéis. É um problema prático, que retém as teorias da ciência. Se queremos respostas para nossas questões mais essenciais, então precisamos superar essa divisão cultural. Ao dar a devida atenção à sabedoria das artes, a ciência poderá ganhar os tipos de novos insights e perspectivas que são as sementes do progresso científico.”
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O PRINCÍPIO FEMININO E A TEORIA U (M)
Texto: Arawana Hayashi; fotos: Zsolt Sütő
“Relaxar sem respostas ou sem um plano pode ser assustador, e estar presente poderia parecer uma perda de tempo. Estar atento ao espaço e à qualidade do que é sentido em uma sala pode parecer uma perda de tempo, particularmente se for dado um valor desproporcional a sair correndo para corrigir pessoas e fazer coisas. O princípio feminino diz respeito a um tempo e a um espaço vazios, abertos, sem agendas. Essa abordagem pede que confiemos em que os seres humanos, individual e coletivamente, possuem sabedoria. Na verdade, poderíamos dizer que as pessoas possuem toda a sabedoria de que necessitam para resolver os problemas do mundo. Portanto, como agentes de mudança, criamos as situações em que essa sabedoria naturalmente venha à tona.”
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O ESPAÇO NO MEIO: O LEGADO TEATRAL DE CHÖGYAM TRUNGPA (2) (M) (acesso livre até 23/5/2013)
Texto: Lee Worley; fotos: Nina Maria Mudita
“Talvez a compaixão da consciência do espaço tal como ela foi transmitida pelos métodos e peças teatrais de Chögyam Trungpa exija uma compreensão do significado da compaixão maior do que aquela que nossa vida ocupada nos permite cogitar. Esse treinamento não é sedutor e gentil, e tampouco suas peças. Em ambos, no entanto, existe um sentido de dignidade que surge de sua firmeza. Não estamos sendo rebaixados; estamos sendo solicitados a elevar nossa consciência e projetá-la para incluir a compreensão mais elevada que existe. Sejamos atores ou o público, Chögyam Trungpa espera de nós nada menos do que nossa habilidade de compreender a totalidade da situação, o caráter inclusivo de tudo, da neurose e da sanidade, tudo ao mesmo tempo. Podemos ser tanto os atores como o público simultaneamente se trazemos uma compaixão incondicional ― compaixão sem um ponto de referência ― para o que está acontecendo o tempo todo.”
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FELICIDADE IMPOSSÍVEL: UMA ELEGIA PARA PETER ORLOVSKY
Texto: Steve Silberman; fotos: Cliff Fyman
“Peter Orlovsky morreu de câncer no pulmão na Vermont Respite House, em Williston, na manhã de domingo, 30 de maio de 2010, cercado por velhos amigos como a poeta Anne Waldman, cofundadora da Jack Kerouac School. Chuck escreveu-me logo após a morte de Peter: ‘Apesar de depender cada vez mais de oxigênio, Peter foi um membro dedicado do pequeno centro de meditação de St. Johnsbury, e participante frequente das celebrações e eventos maiores do centro de meditação Karmê Chöling. Tinha um instrutor de meditação, e ansiava por ter uma cópia de cada novo livro de ensinamentos do Vidyadhara que era publicado. Gostava de receber cartas e telefonemas de velhos amigos. Embora não tenha escrito nos últimos anos, Peter notava tudo que acontecia ao seu redor, usando a mente de poeta que Allen notou ser tão naturalmente presente.’ Adeus, pequeno Peter, gentil Peter. Nunca vou esquecer quão dócil você foi.”
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O ESPAÇO NO MEIO: O LEGADO TEATRAL DE CHÖGYAM TRUNGPA (1)
Texto: Lee Worley; fotos: Nina Maria Mudita
“As coisas não têm apenas um lado. Existe certo jogo ambíguo entre nossa expectativa esperançosa de que elas façam sentido e a maneira ridícula como parecem se manifestar. Nada se desvela para nós, no entanto, continuamente suspeitamos que exista uma mensagem; ao apegar-nos à mensagem que antecipamos, fazemos com que nossa neurose gire mais rápido. Chögyam Trungpa certa vez descreveu seu treinamento teatral como ‘atrelar os cavalos selvagens da neurose’. Como na prática dos koans zen, desgastamos nossas armações conceituais até que o espaço, que o tempo todo esteve lá, milagrosamente apareça.”
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POR QUE EU FAÇO MÚSICA
Texto & músicas: Heather Marie Philipp; fotos: Marvin Ross & Corey N. M. Kohn
“Faço música e canto porque isso libera todo um mundo de experiência elementar que ecoa dentro das câmaras desta alma… e talvez aquela que diz: ‘Veja, somos ambos humanos, e amamos, e ansiamos, e temos esperanças’, como que olhando para um estranho na multidão. Esses sorrisos são pequenas doses de esperança que instilam fé naquilo que temos. Minha esperança é que algo que eu escreva e ofereça toque ao menos um coração além do meu de uma maneira poderosa. Apenas um, e terei honrado todo o caminho que percorri e as músicas que cantei. É por isso.”
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QUANDO O DRAGÃO ENGOLIU O SOL: CONVERSA COM DIRK SIMON
Por que o Tibete ainda não conquistou sua independência? O que impede que seu movimento de libertação avance? Após sete anos em produção, o documentário Quando o Dragão engoliu o Sol investiga essas questões para buscar compreender por que ainda existem questões como a causa tibetana, que o mundo se mostra incapaz de resolver, e o que pode ser feito para erradicá-las. Dharma/Arte promoverá no próximo dia 13 de abril um encontro com Dirk Simon. O tema dessa conversa é a experiência de Dirk Simon nos sete anos que dedicou à realização do filme, a questão tibetana e a importância do cinema e da arte para compreender e discutir a história, assim como seu papel em uma cultura de paz.
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CELEBRAÇÃO E COMPROMISSO: JAKUSHO KWONG-ROSHI E CHÖGYAM TRUNGPA
Vídeo: Bill Scheffel; texto: John Pappas, Bill Scheffel & Allen Ginsberg; fotos: Nina Mudita & Bill Scheffel
4 de abril é o aniversário da morte de Chögyam Trungpa, dia de seu parinirvana. Como relembra Carolyn Rose Gimian, essa data “é ao mesmo tempo uma ocasião para venerar o passado, celebrar a continuidade dos ensinamentos até o presente, e de comprometer-se com a preservação e a propagação do dharma no futuro”. “Não prometemos nos refugiar no passado ou nele buscar segurança. Prometemos tomar o passado como um exemplo indelével que podemos aplicar no presente e transmitir para o futuro. De maneira semelhante, quando celebramos o dia em que o grande professor morreu e passou para o nirvana, não é como parentes a venerar um ancestral ou expressando sua nostalgia e intenso pesar pela partida de um ente querido. Esse dia é para a apreciação das dádivas que nos foram concedidas nesta era. Esse dia é para exercermos aquelas dádivas e fazermos de nossa própria prática uma doação para o benefício dos outros.”
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TRAVAS NA RODA
Desenhos: Jeff Wigman; texto: John Pappas
O Buda apresentou uma cadeia causal de atividade desencadeada pela avidez, pelo ódio e pela ignorância, e que é responsável pelo ciclo infinito de sofrimento. Quando realmente compreendida, essa cadeia poderia ser rompida e o ciclo teria fim. Cada um desses elos, os nidanas, representa um elo na cadeia causal que leva ao renascimento e ao sofrimento. Representam também a esperança de que fazer cessar qualquer ponto na cadeia rompa o ciclo e conduza à liberação.
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SABEDORIA LOUCA
Vídeo: Kate Linhardt; texto: Helena Patsis-Bolduc; desenhos: Allen Ginsberg
A partir de Crazy wisdom (Sabedoria louca), documentário de Kate Linhardt, Helena Patsis-Bolduc relembra como conheceu Allen Ginsberg e Chögyam Trungpa. O documentário de Kate Linhardt, sobre a Jack Kerouac School of Disembodied Poetics da Naropa University, explora a história do programa, a integração do budismo ao currículo e as mudanças que o programa sofreu ao longo de 35 anos. Inclui entrevistas com alunos e membros do corpo docente, intercaladas com material audiovisual de arquivo e sequências de Fried shoes, cooked diamonds, documentário sobre Naropa realizado em 1978.
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VISÕES DE SUSTENTABILIDADE
Texto: Fabiana Nardi; fotos: Fabiana Nardi/Masterson Photo
“Qual é a principal perspectiva adotada pelos livros sobre sustentabilidade quando analisam os problemas e sugerem ações para uma sociedade mais sustentável? A imensa maioria da literatura tem como foco assuntos ligados às tecnologias e aos processos verdes. Mas será que podemos resumir a sustentabilidade apenas à descoberta e à implantação de novas tecnologias e processos de gestão? Em que momento os indivíduos, com seus valores, emoções, motivações, relações e ações, serão incorporados às análises de sustentabilidade? E quais são as consequências quando líderes utilizam essa literatura como fonte de inspiração e de tomada de decisão? É necessário romper com um grande paradigma empresarial.“
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DAR (M)
Texto: Chögyam Trungpa; fotos: Thea Boldt
“Dar e abrir-se não é algo particularmente doloroso, quando vocês começam a fazer isso. No entanto, a ideia de dar e abrir-se é muito dolorosa. Quando alguém pede que vocês deem, deem um salto, a sensação é horrível. Não querem fazer isso, embora sejam um tanto tentados pela ideia. ‘Talvez eu faça alguma descoberta, ou talvez eu perca tudo.’ Vocês podem continuar com essa mente curiosa e dar, abrir-se mais, abrir-se completamente! Cedo ou tarde vocês farão isso, então, quanto antes, melhor. Espero que isso não seja muito complicado. Fundamentalmente a única coisa que estamos discutindo aqui é dar. É bastante simples: dar e ausência de agressão. Quando damos, quando abrimos os olhos e os ouvidos e tudo foi completamente purificado, quando vemos completamente através de tudo, o resultado final é uma repentina experiência de precisão.“
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A ARTE COMO PRÁTICA ESPIRITUAL (M)
Texto: Meredith Monk; fotos: Erin Koch
“Como artistas, estamos sempre lidando com o medo, sempre que começamos uma nova obra, porque então estamos nos permitindo nos expor ao desconhecido. Basicamente, é uma tela em branco, começamos do nada, nada sabemos. Cada vez que criamos uma obra, o medo está sempre lá, sempre o estamos trabalhando, brincando com ele, permitindo que o interesse e a curiosidade pelo que fazemos se torne mais forte que a ansiedade. Então de fato ultrapassamos o medo, e surge um sentido de descoberta.“
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INTELIGÊNCIA ESPONTÂNEA: ENTREVISTA COM ALLEN GINSBERG (M)
Texto e desenhos: Allen Ginsberg; fotos: Peter Orlovsky, Rachel Homer & Cynthia MacAdams
“Penso que todos têm uma inclinação natural para a compaixão. Ela acaba sendo encoberta pelas frustrações, pela ignorância, más experiências, karma negativo, mas, como dizem, por baixo disso, todos têm uma natureza búdica, que é compassiva. É exatamente o oposto da visão hobbesiana, para a qual sob todo homem há um animal rosnando. Basicamente, essa visão negativa está por trás de muitas filosofias neoconservadoras e até mesmo liberais. De certa forma, o ponto do budismo é ouro puro. Não acho que já tenha sido elevado popularmente a fonte de encorajamento, como inspiração política ou pessoal. Todos têm uma vida para viver e têm uma tendência de bodhisattvas, todos querem fazer o bem, então, penso que, no âmbito pessoal, temos motivos para ser otimistas. Em uma escala maior, parece não haver nenhuma esperança, a menos que a compaixão se torne o mais disseminado e importante ensinamento sobre como viver. Compaixão por si e pelos outros.”
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KYUDO: KANJURO SHIBATA SENSEI, VIGÉSIMO ARQUEIRO IMPERIAL DO IMPERADOR DO JAPÃO
Texto e fotos: Scott Spanbauer
Shibata Sensei estava crescentemente perturbado pelas mudanças na sociedade japonesa — uma virada em direção ao materialismo que estava rapidamente tornando o kyudo, de uma arte meditativa, um esporte. Até hoje, Sensei constantemente exorta seus estudantes a praticarem “kyudo da mente, não kyudo esporte”, e a abrirem mão da esperança e do medo de acertar o alvo. A ênfase em vencer dominante no Japão levou-o a aceitar um convite feito por Chögyam Trungpa em 1980 para ensinar no Ocidente. Deslocando a ênfase da forma, cada vez mais ele aponta como os estudantes podem juntar mente e meditação.
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A ZEN E O GUERREIRO
Texto: Meredith Monk, Frans Krajcberg, Ernane Guimarães Neto & Teixeira Coelho; fotos: Henrique Raucci
“Não sei se conseguiríamos uma ação política real a partir da visão de uma escultura. Sinto que, em nossa cultura, especialmente hoje — com velocidade e informação demais —, podemos, com nossas apresentações, quebrar certos hábitos de percepção, literalmente parar padrões habituais desse nosso sono. É assim que se podem acordar as pessoas. Se podemos torná-las cientes de seus próprios hábitos de percepção, eliminamos o blablablá, de modo a fazer pensar no agora. É isso que podemos fazer como artistas. Não sei se conseguimos chegar a pôr as pessoas em ação. [...] Talvez as pessoas nem precisem mais de arte, pois estão ocupadas pela mídia, ocupadas em ficar adormecidas. Não têm paciência e não querem profundidade. Precisamos de experiências fora do filtro, não precisamos de tanta informação. Experiências diretas, que talvez sejam desconfortáveis, que contêm silêncio, mas que valem a pena” (Meredith Monk).
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O PRINCÍPIO DO DRALA (2): O LUXO DE EXPERIMENTAR A REALIDADE (M)
Texto e fotos: Bill Scheffel
Quando nos damos conta do “luxo de experimentar a realidade”, simplificar não é uma dificuldade, e sim algo natural — e as coisas naturais tendem a ir muito bem se permitimos. Simplificar fornece a base para arriscar. Temos não apenas a possibilidade, mas também a responsabilidade de arriscar parte de nossa assim chamada segurança em benefício de encontrar e assumir nosso lugar e, por sua vez, ajudar os outros. Sem a disposição de simplesmente arriscar, é pouco provável que nos ocorra suplicar por uma visão. O que é visão? É a verdade do coração humano, que existe em um agora fora do tempo e que nunca pode ser descoberto pela esperança e pelo medo.
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O PRINCÍPIO DO DRALA (1): ILIMITADOS CAMPOS DE PERCEPÇÃO
Texto: Bill Scheffel; fotos: Bill Scheffel & Devin Scheffel
Nos ensinamentos do drala, cada sentido é considerado um “ilimitado campo de percepção”, no qual existem a visão, sons, sensações “que nunca experimentamos antes” — nunca ninguém experimentou! Cada momento sensorial é um portal para a sabedoria elementar do mundo. Cada percepção é uma percepção pura; da sensação de uma minúscula pedra no sapato ao miado de um gato. Por intermédio desse tipo de percepção, descobrimos que vivemos em um mundo vasto, singular e inexplorado.
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CRIANDO ESPAÇOS PARA A INTELIGÊNCIA COLETIVA
Texto: Michael Chender; fotos: Douglas Dickel
Neste texto, Michael Chender (um dos fundadores do Shambhala Institute — atualmente, Authentic Leadership in Action Institute, ALIA — e CEO da Metals Economics, uma das mais importantes empresas de consultoria na área de mineração) trata dos espaços de acolhimento baseados na escuta, ou “espaços contenedores”, que, segundo Chender, são uma das principais contribuições que o ALIA traz ao diálogo com outras abordagens inovadoras, como a Teoria U, o pensamento sistêmico etc. Essa contribuição procura tornar mais efetivas essas práticas, permitindo a apreciação e o acesso à “visão” que as fundamenta, algo que raramente é explicitado.
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AÇÃO, COMPAIXÃO, CRIATIVIDADE
Texto: Margot Becker; fotos: Margot Becker & Douglas Dickel
“Abrir mão de minhas disciplinas criativas fez com que direcionasse minhas energias criativas para um nível mundano e mesmo assim fascinante, um nível que se manifestou não em romances ou na dança, mas em atos simples que talvez tenham a duração de poucos segundos, um segundo, ou menos. Estando atenta e talvez pegando uma carona na onda, se consigo acompanhá-la enquanto ondula pela orla. Eventualmente, com a prática, conseguimos fazer uma escolha melhor naquele momento minúsculo e eterno, escrevê-lo em uma página mais permanente que o papel, e essa escrita poderá afetar… alguém… em algum momento… em algum lugar…”
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O SIMBOLISMO DA EXPERIÊNCIA (M)
Texto: Chögyam Trungpa; fotos: Douglas Dickel
“O tema do simbolismo não interessa apenas a artistas ou a historiadores da arte, e sim a todos que gostariam de compreender e desenvolver a si próprios. O objetivo não é ensinar uma série de truques, mas ajudar-nos a compreender algo sobre nós mesmos, nossa visão da vida e o mundo dos fenômenos em geral. Por sua vez, também poderíamos entender como aplicar essa visão de maneira audiovisual. O simbolismo baseia-se naquilo que experimentamos de maneira pessoal e direta em nossa vida. Toda atividade é simbolismo fundamental. O universo está constantemente tentando chegar até nos para dizer ou ensinar algo, mas nós o rejeitamos o tempo todo.”
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TEATRO SAGRADO (M)
Texto: Lee Worley; fotos: Douglas Dickel
“Apesar das diferenças em seus estilos e em seus trabalhos, o que é consistente nas ideias desses líderes teatrais é que a atuação, conduzida por atores, tenta empreender um processo de transformação, dos atores e/ou do público. A missão do teatro sagrado, tanto asiático como ocidental, tradicional ou inovador, é atuar como veículo de transformação.”
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A HABILIDADE NEGATIVA: JACK KEROUAC E A ÉTICA BUDISTA (M)
+ Não cabe, Cigarra, Cicatriz, Pesadelo e Sonho, de Marcelo Sahea
Texto: Allen Ginsberg; poemas visuais de Marcelo Sahea
“É possível tomar nossa existência como um ‘mundo sagrado’, ver este lugar como espaço aberto e não como um vazio escuro e claustrofóbico. É possível ter uma relação amistosa com as naturezas de nosso ego, é possível apreciar o jogo estético das formas na vacuidade, e existir nesse lugar como reis majestosos de nossa consciência. Mas, para isso, teríamos de abrir mão de agarrar-nos para que tudo seja como em nossos devaneios pensamos que deva ser. [...] Penso que é aqui que Kerouac foi pego como católico, em última instância, porque não penso que ele tenha superado esse medo da primeira nobre verdade.“
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UMA INTENÇÃO INABALÁVEL: ENTREVISTA COM PHILIP GLASS (M)
Texto: Philip Glass & Helen Tworkov; fotos: François Bouchet & Jean-Pierre Dalbéra
Philip Glass fala sobre Gandhi, arte, budismo, cristianismo, justiça social e compaixão.
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DHARMA OU DRAMA: A ARTE DE SER QUEM SOMOS
+ “Smoking feminino risca-de-giz de Yves Saint-Laurent e o grafismo
da pintura corporal indígena Kaiapó-Xikrin do Cateté”
+ “A descoberta da elegância”, de Chögyam Trungpa
Texto: Rodrigo Bueno; imagens/images: Rodrigo Bueno, Bruno Galan & Douglas Garcia; fotos: Douglas Garcia & Andrea Roth
“A impermanência é a lei máxima da vida em eterno movimento. Tudo se transforma à nossa volta, enquanto a morte e a vida, faces da mesma moeda, regem nossos sentidos diante do terror e do encantamento. Essa dança dual nos leva constantemente a reinventar nossa relação com o planeta, e com nossa própria percepção.”
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MAIS PESSOAS
Fotos: Henrique Raucci
Participantes das oficinas com Meredith Monk no Brasil, realizadas por Dharma/Arte.
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VISLUMBRES DE ESPAÇO: O DOM DO PRINCÍPIO FEMININO (M)
+ “A galinha e o ovo”, de Chögyam Trungpa
Texto e fotos: Alice Haspray
Qual é o dom do princípio feminino em nosso mundo? Como recebemos esse dom? Que a energia feminina seja mal compreendida, ignorada ou temida, isso é algo com profundo significado para a vida tanto de homens como de mulheres, e para qualquer aspiração que tenhamos de criar um mundo melhor.
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PESSOAS
Fotos: Henrique Raucci & Rodrigo Almeida Prado
Público e convidados nos eventos com Meredith Monk no Brasil, realizados por Dharma/Arte.
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DHARMA/ARTE: A PERCEPÇÃO VERDADEIRA
Dharma/Arte
Em 2010, Dharma/Arte publicará o livro Dharma/arte: a percepção verdadeira, de Chögyam Trungpa, com introdução de Meredith Monk, escrita especialmente para a edição brasileira. Dharma/arte: a percepção verdadeira é uma coletânea de ensaios sobre a arte e o processo criativo.
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BONDADE FUNDAMENTAL (M)
Chögyam Trungpa
O propósito de dharma/arte é superar a agressão. [...] se nossa mente está preocupada com a agressão, não pode funcionar da maneira adequada. Por outro lado, se nossa mente está preocupada com a paixão, existem possibilidades.
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PROCESSOS CRIATIVOS E LIDERANÇAS AUTÊNTICAS
Texto: Dharma/Arte
Em sinergia com suas atividades no campo artístico — baseadas na arte contemporânea, na educação contemplativa e no aprendizado experiencial —, Dharma/Arte desenvolve atividades nas áreas de Processos Criativos e Lideranças Autênticas, com o objetivo de promover o diálogo entre a criatividade nas artes e a criatividade essencial às diversas iniciativas de inovação social e organizacional.
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DHARMA, ARTE E CRIATIVIDADE
Texto: Dharma/Arte; fotos: Henrique Raucci & Andrea Roth
Em nossa era de transformações sem precedentes, o desejo por insights reveladores é mais forte do que nunca. O processo criativo como ritual pode ser caminho para a redenção, trazendo a experiência da transformação pela qual tanto ansiamos. Esta é a proposta de Dharma/Arte.
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