M A G A Z I N E

Foto/photo: © Zsolt Zsoló Kóté

O PROFESSOR CONTEMPLATIVO (1)
(The contemplating teacher, 1)*
texto/text: Lee Worley; fotos/photos:
Zsolt Zsoló Kóté
“ ‘Educação contemplativa’ é uma expressão crescentemente popular na educação superior nos Estados Unidos. Isso não me surpreende. Há trinta anos, Chögyam Trungpa, mestre tibetano de meditação que havia sido transplantado para os Estados Unidos, identificou o que não estava funcionando no sistema educacional do país e, como consequência, fundou o Naropa Institute. Percebeu que a educação deve falar ao todo da pessoa, treinar corpo, mente e espírito, e também treinar a relação de corpo, mente e espírito com o meio na escala mais ampla possível. Isso era verdadeiro na época, é verdadeiro hoje e continuará a ser verdadeiro à medida que avançarmos pelo século XXI. Surpreendentemente, levou algum tempo para que o sistema educacional norte-americano reconhecesse essa necessidade de uma educação que transcenda a informação factual em áreas delimitadas de especialização e, em vez disso, tenha como foco a transformação de todo o ser e de sua relação com seu mundo. Esse é um aprendizado que inclui a reflexão tanto quanto a análise, tem como foco o crescimento pessoal tanto quanto o domínio de habilidades, desenvolve tolerância pela ambiguidade, abertura para rever suas posições, a imaginação como caminho tão importante para a compreensão quanto a argumentação racional. A questão é: como podemos oferecer tal educação?”
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(*) English version: because of copyright issues, only some pages have an English version.

LINHAS BRANCAS
(White lines)*
texto & música/text & music: David M. Smith; foto/photo: Corey N. M. Kohn

“Por muitos anos tive a ilusão de que havia alguma maneira de evitar a primeira nobre verdade do Buda. Se eu fosse capaz de organizar as condições em minha vida da maneira certa, poderia experimentar o prazer e evitar a dor, se não o tempo todo, ao menos a maior parte dele. Busquei esse refúgio nas drogas, no álcool, no sexo, nos aplausos, na fama e em qualquer objeto ou substância que resultasse em gratificação imediata. Agarrava-me a isso, desejava isso de maneira constante e consistente, acreditando que traria felicidade e prazeres permanentes. De muitas maneiras estava viciado pela experiência do prazer. É desse desejo constante que o Buda trata no ensinamento da origem dependente, e fundamentalmente ele era a causa de todo meu sofrimento. Paradoxalmente, perseguir o prazer e evitar a dor resultou em tanto sofrimento que finalmente tive de render-me à verdade. Tinha de enfrentar a mentira que por muito tempo havia contado a mim mesmo. ‘White lines’ [‘Linhas brancas’] é uma música sobre dor e redenção. Representa minha total admissão e reconhecimento da primeira nobre verdade ― a de que nesta vida existe sofrimento.”
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O FUTURO DA CIÊNCIA… É A ARTE? (2)
(The future of science… is art?, 2)*
texto/text: Jonah Lehrer; fotos/photos:
Kimbell Art Museum/Corbis; The Bridgeman Art Library/Getty Images; Francis G. Mayer/Corbis
“As ciências devem reconhecer que suas verdades não são as únicas verdades. Nenhuma área de conhecimento tem isoladamente o monopólio do conhecimento. Como Karl Popper, eminente defensor da ciência, escreveu, “é imperativo que desistamos da ideia de fontes absolutas de conhecimento, e admitamos que todo conhecimento é humano; que ele se mistura com nossos erros, preconceitos, sonhos e esperanças; que tudo o que podemos fazer é tatear pela verdade embora ela esteja fora do nosso alcance”. O embate pela verdade científica é longo e árduo, e nunca terá fim. Se quisermos ter uma resposta para nossas questões mais profundas ― questões como quem somos nós e o que tudo é ―, precisaremos fazer uso tanto da ciência como da arte, de modo que uma complete a outra.”
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O FUTURO DA CIÊNCIA… É A ARTE? (1)
(The future of science… is art?, 1)*
texto/text: Jonah Lehrer; fotos/photos: Christie’s Images/Corbis; The M.C. Escher Company; Alinari Archives/Corbis
“O que é tudo? E quem somos nós? Antes de poderem desvendar esses mistérios, nossas ciências têm de ultrapassar suas limitações presentes. Como podemos fazer com que isso aconteça? Minha resposta é simples: a ciência necessita das artes. Precisamos encontrar um lugar para o artista no interior do processo experimental, redescobrir o que Bohr observou quando olhou para aquelas pinturas cubistas. As limitações correntes da ciência deixam claro que a fenda entre nossas duas culturas não é meramente um problema acadêmico que sufoca as conversações em coquetéis. É um problema prático, que retém as teorias da ciência. Se queremos respostas para nossas questões mais essenciais, então precisamos superar essa divisão cultural. Ao dar a devida atenção à sabedoria das artes, a ciência poderá ganhar os tipos de novos insights e perspectivas que são as sementes do progresso científico.”
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O PRINCÍPIO FEMININO E A TEORIA U
(Feminine principle and Theory U)*
texto/text: Arawana Hayashi; fotos/photos: Zsolt Sütő
“Relaxar sem respostas ou sem um plano pode ser assustador, e estar presente poderia parecer uma perda de tempo. Estar atento ao espaço e à qualidade do que é sentido em uma sala pode parecer uma perda de tempo, particularmente se for dado um valor desproporcional a sair correndo para corrigir pessoas e fazer coisas. O princípio feminino diz respeito a um tempo e a um espaço vazios, abertos, sem agendas. Essa abordagem pede que confiemos em que os seres humanos, individual e coletivamente, possuem sabedoria. Na verdade, poderíamos dizer que as pessoas possuem toda a sabedoria de que necessitam para resolver os problemas do mundo. Portanto, como agentes de mudança, criamos as situações em que essa sabedoria naturalmente venha à tona.”
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O ESPAÇO NO MEIO: O LEGADO TEATRAL DE CHÖGYAM TRUNGPA (2)
(The space between: the theater legacy of Chögyam Trungpa, 2)*
texto/text: Lee Worley; fotos/photos: Nina Maria Mudita
“As coisas não têm apenas um lado. Existe certo jogo ambíguo entre nossa expectativa esperançosa de que elas façam sentido e a maneira ridícula como parecem se manifestar. Nada se desvela para nós, no entanto, continuamente suspeitamos que exista uma mensagem; ao apegar-nos à mensagem que antecipamos, fazemos com que nossa neurose gire mais rápido. Chögyam Trungpa certa vez descreveu seu treinamento teatral como ‘atrelar os cavalos selvagens da neurose’. Como na prática dos koans zen, desgastamos nossas armações conceituais até que o espaço, que o tempo todo esteve lá, milagrosamente apareça.”
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FELICIDADE IMPOSSÍVEL: UMA ELEGIA PARA PETER ORLOVSKY
(Impossible happiness: an elegy for Peter Orlovsky)*
texto/text: Steve Silberman; fotos/photos: Cliff Fyman

“Peter Orlovsky morreu de câncer no pulmão na Vermont Respite House, em Williston, na manhã de domingo, 30 de maio de 2010, cercado por velhos amigos como a poeta Anne Waldman, cofundadora da Jack Kerouac School. Chuck escreveu-me logo após a morte de Peter: ‘Apesar de depender cada vez mais de oxigênio, Peter foi um membro dedicado do pequeno centro de meditação de St. Johnsbury, e participante frequente das celebrações e eventos maiores do centro de meditação Karmê Chöling. Tinha um instrutor de meditação, e ansiava por ter uma cópia de cada novo livro de ensinamentos do Vidyadhara que era publicado. Gostava de receber cartas e telefonemas de velhos amigos. Embora não tenha escrito nos últimos anos, Peter notava tudo que acontecia ao seu redor, usando a mente de poeta que Allen notou ser tão naturalmente presente.’ Adeus, pequeno Peter, gentil Peter. Nunca vou esquecer quão dócil você foi.”
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O ESPAÇO NO MEIO: O LEGADO TEATRAL DE CHÖGYAM TRUNGPA (1)
(The space between: the theater legacy of Chögyam Trungpa, 1)*

texto/text: Lee Worley; fotos/photos: Nina Maria Mudita
“Talvez a compaixão da consciência do espaço tal como ela foi transmitida pelos métodos e peças teatrais de Chögyam Trungpa exija uma compreensão do significado da compaixão maior do que aquela que nossa vida ocupada nos permite cogitar. Esse treinamento não é sedutor e gentil, e tampouco suas peças. Em ambos, no entanto, existe um sentido de dignidade que surge de sua firmeza. Não estamos sendo rebaixados; estamos sendo solicitados a elevar nossa consciência e projetá-la para incluir a compreensão mais elevada que existe. Sejamos atores ou o público, Chögyam Trungpa espera de nós nada menos do que nossa habilidade de compreender a totalidade da situação, o caráter inclusivo de tudo, da neurose e da sanidade, tudo ao mesmo tempo. Podemos ser tanto os atores como o público simultaneamente se trazemos uma compaixão incondicional ― compaixão sem um ponto de referência ― para o que está acontecendo o tempo todo.”
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POR QUE EU FAÇO MÚSICA
(Why I make music)*
texto & músicas/text & songs: Heather Marie Philipp; fotos/photos: Marvin Ross & Corey N. M. Kohn
“Faço música e canto porque isso libera todo um mundo de experiência elementar que ecoa dentro das câmaras desta alma… e talvez aquela que diz: ‘Veja, somos ambos humanos, e amamos, e ansiamos, e temos esperanças’, como que olhando para um estranho na multidão. Esses sorrisos são pequenas doses de esperança que instilam fé naquilo que temos. Minha esperança é que algo que eu escreva e ofereça toque ao menos um coração além do meu de uma maneira poderosa. Apenas um, e terei honrado todo o caminho que percorri e as músicas que cantei. É por isso.”

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QUANDO O DRAGÃO ENGOLIU O SOL: CONVERSA COM DIRK SIMON
(When the Dragon swallowed the Sun: conversation with Dirk Simon)
*
Por que o Tibete ainda não conquistou sua independência? O que impede que seu movimento de libertação avance? Após sete anos em produção, o documentário Quando o Dragão engoliu o Sol investiga essas questões para buscar compreender por que ainda existem questões como a causa tibetana, que o mundo se mostra incapaz de resolver, e o que pode ser feito para erradicá-las. Dharma/Arte promoverá no próximo dia 13 de abril um encontro com Dirk Simon. O tema dessa conversa é a experiência de Dirk Simon nos sete anos que dedicou à realização do filme, a questão tibetana e a importância do cinema e da arte para compreender e discutir a história, assim como seu papel em uma cultura de paz.

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CELEBRAÇÃO E COMPROMISSO: JAKUSHO KWONG-ROSHI E CHÖGYAM TRUNGPA
(Celebration and commitment: Jakusho Kwong-roshi and Chögyam Trungpa)
*
vídeo/video
: Bill Scheffel; texto/text: John Pappas, Bill Scheffel & Allen Ginsberg; fotos/photos: Nina Mudita & Bill Scheffel

4 de abril é o aniversário da morte de Chögyam Trungpa, dia de seu parinirvana. Como relembra Carolyn Rose Gimian, essa data “é ao mesmo tempo uma ocasião para venerar o passado, celebrar a continuidade dos ensinamentos até o presente, e de comprometer-se com a preservação e a propagação do dharma no futuro”.
“Não prometemos nos refugiar no passado ou nele buscar segurança. Prometemos tomar o passado como um exemplo indelével que podemos aplicar no presente e transmitir para o futuro. De maneira semelhante, quando celebramos o dia em que o grande professor morreu e passou para o nirvana, não é como parentes a venerar um ancestral ou expressando sua nostalgia e intenso pesar pela partida de um ente querido. Esse dia é para a apreciação das dádivas que nos foram concedidas nesta era. Esse dia é para exercermos aquelas dádivas e fazermos de nossa própria prática uma doação para o benefício dos outros.”
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TRAVAS NA RODA
(Spokes in the wheel)
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desenhos/drawings: Jeff Wigman; texto/text: John Pappas
O Buda apresentou uma cadeia causal de atividade desencadeada pela avidez, pelo ódio e pela ignorância, e que é responsável pelo ciclo infinito de sofrimento. Quando realmente compreendida, essa cadeia poderia ser rompida e o ciclo teria fim. Cada um desses elos, os nidanas, representa um elo na cadeia causal que leva ao renascimento e ao sofrimento. Representam também a esperança de que fazer cessar qualquer ponto na cadeia rompa o ciclo e conduza à liberação.

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SABEDORIA LOUCA
(Crazy Wisdom)
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vídeo/video: Kate Linhardt; texto/text: Helena Patsis-Bolduc; desenhos/drawings: Allen Ginsberg
A partir de Crazy wisdom (Sabedoria louca), documentário de Kate Linhardt, Helena Patsis-Bolduc relembra como conheceu Allen Ginsberg e Chögyam Trungpa. O documentário de Kate Linhardt, sobre a Jack Kerouac School of Disembodied Poetics da Naropa University, explora a história do programa, a integração do budismo ao currículo e as mudanças que o programa sofreu ao longo de 35 anos. Inclui entrevistas com alunos e membros do corpo docente, intercaladas com material audiovisual de arquivo e sequências de Fried shoes, cooked diamonds, documentário sobre Naropa realizado em 1978.

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VISÕES DE SUSTENTABILIDADE
(Visions of Sustainability)
texto/text: Fabiana Nardi; fotos/photos: Fabiana Nardi/Masterson Photo
“Qual é a principal perspectiva adotada pelos livros sobre sustentabilidade quando analisam os problemas e sugerem ações para uma sociedade mais sustentável? A imensa maioria da literatura tem como foco assuntos ligados às tecnologias e aos processos verdes. Mas será que podemos resumir a sustentabilidade apenas à descoberta e à implantação de novas tecnologias e processos de gestão? Em que momento os indivíduos, com seus valores, emoções, motivações, relações e ações, serão incorporados às análises de sustentabilidade? E quais são as consequências quando líderes utilizam essa literatura como fonte de inspiração e de tomada de decisão? É necessário romper com um grande paradigma empresarial.

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DAR
(Giving)
texto/text: Chögyam Trungpa; fotos/photos: Thea Boldt
“Dar e abrir-se não é algo particularmente doloroso, quando vocês começam a fazer isso. No entanto, a ideia de dar e abrir-se é muito dolorosa. Quando alguém pede que vocês deem, deem um salto, a sensação é horrível. Não querem fazer isso, embora sejam um tanto tentados pela ideia. ‘Talvez eu faça alguma descoberta, ou talvez eu perca tudo.’ Vocês podem continuar com essa mente curiosa e dar, abrir-se mais, abrir-se completamente! Cedo ou tarde vocês farão isso, então, quanto antes, melhor. Espero que isso não seja muito complicado. Fundamentalmente a única coisa que estamos discutindo aqui é dar. É bastante simples: dar e ausência de agressão. Quando damos, quando abrimos os olhos e os ouvidos e tudo foi completamente purificado, quando vemos completamente através de tudo, o resultado final é uma repentina experiência de precisão.

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A ARTE COMO PRÁTICA ESPIRITUAL
(Art as Spiritual Practice)

texto/text: Meredith Monk; fotos/photos: Erin Koch
“Como artistas, estamos sempre lidando com o medo, sempre que começamos uma nova obra, porque então estamos nos permitindo nos expor ao desconhecido. Basicamente, é uma tela em branco, começamos do nada, nada sabemos. Cada vez que criamos uma obra, o medo está sempre lá, sempre o estamos trabalhando, brincando com ele, permitindo que o interesse e a curiosidade pelo que fazemos se torne mais forte que a ansiedade. Então de fato ultrapassamos o medo, e surge um sentido de descoberta.

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INTELIGÊNCIA ESPONTÂNEA: ENTREVISTA COM ALLEN GINSBERG
(Spontaneous Intelligence: Interview with Allen Ginsberg)

texto e desenhos/text and drawings: Allen Ginsberg; fotos/photos: Peter Orlovsky, Rachel Homer & Cynthia MacAdams
“Penso que todos têm uma inclinação natural para a compaixão. Ela acaba sendo encoberta pelas frustrações, pela ignorância, más experiências, karma negativo, mas, como dizem, por baixo disso, todos têm uma natureza búdica, que é compassiva. É exatamente o oposto da visão hobbesiana, para a qual sob todo homem há um animal rosnando. Basicamente, essa visão negativa está por trás de muitas filosofias neoconservadoras e até mesmo liberais. De certa forma, o ponto do budismo é ouro puro. Não acho que já tenha sido elevado popularmente a fonte de encorajamento, como inspiração política ou pessoal. Todos têm uma vida para viver e têm uma tendência de bodhisattvas, todos querem fazer o bem, então, penso que, no âmbito pessoal, temos motivos para ser otimistas. Em uma escala maior, parece não haver nenhuma esperança, a menos que a compaixão se torne o mais disseminado e importante ensinamento sobre como viver. Compaixão por si e pelos outros.”

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KYUDO: KANJURO SHIBATA SENSEI, VIGÉSIMO ARQUEIRO IMPERIAL DO IMPERADOR DO JAPÃO
(Kyudo: Kanjuro Shibata Sensei, the XX Imperial Bowmaker to the Emperor of Japan)

texto e fotos/text and photos: Scott Spanbauer
Shibata Sen
sei estava crescentemente perturbado pelas mudanças na sociedade japonesa — uma virada em direção ao materialismo que estava rapidamente tornando o kyudo, de uma arte meditativa, um esporte. Até hoje, Sensei constantemente exorta seus estudantes a praticarem “kyudo da mente, não kyudo esporte”, e a abrirem mão da esperança e do medo de acertar o alvo. A ênfase em vencer dominante no Japão levou-o a aceitar um convite feito por Chögyam Trungpa em 1980 para ensinar no Ocidente. Deslocando a ênfase da forma, cada vez mais ele aponta como os estudantes podem juntar mente e meditação.
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A ZEN E O GUERREIRO
(The Zen and the Warrior)
texto/text: Meredith Monk, Frans Krajcberg, Ernane Guimarães Neto & Teixeira Coelho; fotos/photos: Henrique Raucci
“Não sei se conseguiríamos uma ação política real a partir da visão de uma escultura. Sinto que, em nossa cultura, especialmente hoje — com velocidade e informação demais —, podemos, com nossas apresentações, quebrar certos hábitos de percepção, literalmente parar padrões habituais desse nosso sono. É assim que se podem acordar as pessoas. Se podemos torná-las cientes de seus próprios hábitos de percepção, eliminamos o blablablá, de modo a fazer pensar no agora. É isso que podemos fazer como artistas. Não sei se conseguimos chegar a pôr as pessoas em ação. [...] Talvez as pessoas nem precisem mais de arte, pois estão ocupadas pela mídia, ocupadas em ficar adormecidas. Não têm paciência e não querem profundidade. Precisamos de experiências fora do filtro, não precisamos de tanta informação. Experiências diretas, que talvez sejam desconfortáveis, que contêm silêncio, mas que valem a pena” (Meredith Monk).
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O PRINCÍPIO DO DRALA (2): O LUXO DE EXPERIMENTAR A REALIDADE
(The Drala Principle, 2: Luxury is Experiencing Reality)

texto e fotos/text and photos: Bill Scheffel
Quando nos damos conta do “luxo de experimentar a realidade”, simplificar não é uma dificuldade, e sim algo natural — e as coisas naturais tendem a ir muito bem se permitimos. Simplificar fornece a base para arriscar. Temos não apenas a possibilidade, mas também a responsabilidade de arriscar parte de nossa assim chamada segurança em benefício de encontrar e assumir nosso lugar e, por sua vez, ajudar os outros. Sem a disposição de simplesmente arriscar, é pouco provável que nos ocorra suplicar por uma visão. O que é visão? É a verdade do coração humano, que existe em um agora fora do tempo e que nunca pode ser descoberto pela esperança e pelo medo.

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O PRINCÍPIO DO DRALA (1): ILIMITADOS CAMPOS DE PERCEPÇÃO
(The Drala Principle, 1: Unlimited Fields of Perception)

texto/text: Bill Scheffel; fotos/photos: Bill Scheffel & Devin Scheffel
Nos ensinamentos do drala, cada sentido é considerado um “ilimitado campo de percepção”, no qual existem a visão, sons, sensações “que nunca experimentamos antes” — nunca ninguém experimentou! Cada momento sensorial é um portal para a sabedoria elementar do mundo. Cada percepção é uma percepção pura; da sensação de uma minúscula pedra no sapato ao miado de um gato. Por intermédio desse tipo de percepção, descobrimos que vivemos em um mundo vasto, singular e inexplorado.
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CRIANDO ESPAÇOS PARA A INTELIGÊNCIA COLETIVA
(Creating the Containers for Group Insight)

texto/text: Michael Chender; fotos/photos: Douglas Dickel
Neste texto, Michael Chender (um dos fundadores do Shambhala Institute — atualmente, Authentic Leadership in Action Institute, ALIA e CEO da Metals Economics, uma das mais importantes empresas de consultoria na área de mineração) trata dos espaços de acolhimento baseados na escuta, ou “espaços contenedores”, que, segundo Chender, são uma das principais contribuições que o ALIA traz ao diálogo com outras abordagens inovadoras, como a Teoria U, o pensamento sistêmico etc. Essa contribuição procura tornar mais efetivas essas práticas, permitindo a apreciação e o acesso à “visão” que as fundamenta, algo que raramente é explicitado.
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AÇÃO, COMPAIXÃO, CRIATIVIDADE
(Action, Compassion, Creativity)

texto/text: Margot Becker; fotos/photos: Margot Becker & Douglas Dickel
Abrir mão de minhas disciplinas criativas fez com que direcionasse minhas energias criativas para um nível mundano e mesmo assim fascinante, um nível que se manifestou não em romances ou na dança, mas em atos simples que talvez tenham a duração de poucos segundos, um segundo, ou menos. Estando atenta e talvez pegando uma carona na onda, se consigo acompanhá-la enquanto ondula pela orla. Eventualmente, com a prática, conseguimos fazer uma escolha melhor naquele momento minúsculo e eterno, escrevê-lo em uma página mais permanente que o papel, e essa escrita poderá afetar… alguém… em algum momento… em algum lugar…”
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O SIMBOLISMO DA EXPERIÊNCIA
(The Symbolism of Experience)
texto: Chögyam Trungpa; fotos: Douglas Dickel
“O tema do simbolismo não interessa apenas a artistas ou a historiadores da arte, e sim a todos que gostariam de compreender e desenvolver a si próprios. O objetivo não é ensinar uma série de truques, mas ajudar-nos a compreender algo sobre nós mesmos, nossa visão da vida e o mundo dos fenômenos em geral. Por sua vez, também poderíamos entender como aplicar essa visão de maneira audiovisual. O simbolismo baseia-se naquilo que experimentamos de maneira pessoal e direta em nossa vida. Toda atividade é simbolismo fundamental. O universo está constantemente tentando chegar até nos para dizer ou ensinar algo, mas nós o rejeitamos o tempo todo.”
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TEATRO SAGRADO
(Sacred Theater)
texto/text: Lee Worley; fotos/photos: Douglas Dickel
Apesar das diferenças em seus estilos e em seus trabalhos, o que é consistente nas ideias desses líderes teatrais é que a atuação, conduzida por atores, tenta empreender um processo de transformação, dos atores e/ou do público. A missão do teatro sagrado, tanto asiático como ocidental, tradicional ou inovador, é atuar como veículo de transformação.
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A HABILIDADE NEGATIVA: JACK KEROUAC E A ÉTICA BUDISTA
(Negative Capability: Kerouac’s Buddhist Ethic)
+ Não cabe, Cigarra, Cicatriz, Pesadelo e Sonho, de Marcelo Sahea
texto/text: Allen Ginsberg; poemas visuais de/visual poems by Marcelo Sahea

É possível tomar nossa existência como um ‘mundo sagrado’, ver este lugar como espaço aberto e não como um vazio escuro e claustrofóbico. É possível ter uma relação amistosa com as naturezas de nosso ego, é possível apreciar o jogo estético das formas na vacuidade, e existir nesse lugar como reis majestosos de nossa consciência. Mas, para isso, teríamos de abrir mão de agarrar-nos para que tudo seja como em nossos devaneios pensamos que deva ser. [...] Penso que é aqui que Kerouac foi pego como católico, em última instância, porque não penso que ele tenha superado esse medo da primeira nobre verdade.
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UMA INTENÇÃO INABALÁVEL: ENTREVISTA COM PHILIP GLASS
(Unbending Intent: an Interview with Philip Glass)
texto/text: Philip Glass & Helen Tworkov; fotos/photos: François Bouchet & Jean-Pierre Dalbéra
Philip Glass fala sobre Gandhi, arte, budismo, cristianismo, justiça social e compaixão.
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DHARMA OU DRAMA: A ARTE DE SER QUEM SOMOS
(Dharma or Drama: the Art of Being who we Are)
+ “Smoking feminino risca-de-giz de Yves Saint-Laurent e o grafismo
da pintura corporal indígena Kaiapó-Xikrin do Cateté”
+ “A descoberta da elegância”, de Chögyam Trungpa

texto/text: Rodrigo Bueno; imagens/images: Rodrigo Bueno, Bruno Galan & Douglas Garcia; fotos/photos: Douglas Garcia & Andrea Roth

“A impermanência é a lei máxima da vida em eterno movimento. Tudo se transforma à nossa volta, enquanto a morte e a vida, faces da mesma moeda, regem nossos sentidos diante do terror e do encantamento. Essa dança dual nos leva constantemente a reinventar nossa relação com o planeta, e com nossa própria percepção.”
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MAIS PESSOAS
(People, 2: photos from Dharma/Arte’s events)

fotos/photos: Henrique Raucci

Participantes das oficinas com Meredith Monk no Brasil, realizadas por Dharma/Arte.
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VISLUMBRES DE ESPAÇO: O DOM DO PRINCÍPIO FEMININO
(Glimpses of Space: the Gift of Feminine Principle)

+ “A galinha e o ovo”, de Chögyam Trungpa

texto e fotos/text and photos: Alice Haspray

Qual é o dom do princípio feminino em nosso mundo? Como recebemos esse dom? Que a energia feminina seja mal compreendida, ignorada ou temida, isso é algo com profundo significado para a vida tanto de homens como de mulheres, e para qualquer aspiração que tenhamos de criar um mundo melhor.
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PESSOAS
(People, 1: photos from Dharma/Arte’s events)

fotos/photos: Henrique Raucci & Rodrigo Almeida Prado

Público e convidados nos eventos com Meredith Monk no Brasil, realizados por Dharma/Arte.
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DHARMA/ARTE: A PERCEPÇÃO VERDADEIRA
(True Perception: the Path of Dharma Art)
Dharma/Arte

Em 2010, Dharma/Arte publicará o livro Dharma/arte: a percepção verdadeira, de Chögyam Trungpa, com introdução de Meredith Monk, escrita especialmente para a edição brasileira. Dharma/arte: a percepção verdadeira é uma coletânea de ensaios sobre a arte e o processo criativo.
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BONDADE FUNDAMENTAL
(Basic Goodness)
Chögyam Trungpa

O propósito de dharma/arte é superar a agressão. [...] se nossa mente está preocupada com a agressão, não pode funcionar da maneira adequada. Por outro lado, se nossa mente está preocupada com a paixão, existem possibilidades.
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PROCESSOS CRIATIVOS E LIDERANÇAS AUTÊNTICAS
(Creative Processes and Authentic Leadership)
texto/text: Dharma/Arte

Em sinergia com suas atividades no campo artístico — baseadas na arte contemporânea, na educação contemplativa e no aprendizado experiencial —, Dharma/Arte desenvolve atividades nas áreas de Processos Criativos e Lideranças Autênticas, com o objetivo de promover o diálogo entre a criatividade nas artes e a criatividade essencial às diversas iniciativas de inovação social e organizacional.
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DHARMA, ARTE E CRIATIVIDADE
(Dharma, Art and Creativity)
texto/text:
Dharma/Arte; fotos/photos: Henrique Raucci & Andrea Roth
Em nossa era de transformações sem precedentes, o desejo por insights reveladores é mais forte do que nunca. O processo criativo como ritual pode ser caminho para a redenção, trazendo a experiência da transformação pela qual tanto ansiamos. Esta é a proposta de Dharma/Arte.
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