ideias são coisas:

o sutra do coração para crianças

John Pappas

Ilustrações: Ed Cross

O Sutra do Coração é cantado diariamente em muitos centros zen, templos e lares budistas, e faz parte da tradição mahayana. É muito popular devido a sua brevidade e à profundidade de seus ensinamentos sobre o conceito budista de shunyata (vacuidade). Literalmente, o sutra descreve a experiência de Avalokiteshvara, o bodhisattva da compaixão, como a liberação é alcançada pela prática profunda da meditação. Avalokiteshvara explica então a natureza desperta que compreende a vacuidade de todos os fenômenos.

O sutra é frequentemente cantado em ritmo uniforme, no qual cada sílaba equivale a uma batida. Embora crie uma maravilhosa experiência na prática em grupo, isso é um problema quando os pais querem transmitir esse conceito para os filhos. Em minha versão em inglês, incluí rimas, e também imagens contrastantes e contemporâneas para criar uma leitura que seja mais agradável para pais e filhos. Algo que possa ser cantado e dançado com vigor e intensidade infantil. O trabalho do ilustrador Ed Cross complementa e pontua trechos do poema.

 

 

Avalokiteshvara, você diz! Em meditação profunda o dia todo.

Uma canção em silêncio, uma dança no escuro.

Sem parar para um prato de comida, bolo ou café

Olhando fundo para o mar bravo da vida, viu claramente que ele era vacu-i-dade.

 

Dançando e rodando, cabelos ao vento, completamente sem dor ou preocupações.

Coisas são ideias e ideias são coisas!

(Disse isso uma, duas, três vezes! Você repetiria?)

Preocupações, meu cabelo, ideias no ar, tudo se reduz a v-a-c-u-i-d-a-d-e.

Meus sonhos à noite, minha dança o dia todo, o joelho esfolado e as flores em setembro

Oh, elas crescem e morrem! Sempre foi assim!

Nenhum deus no céu, nenhum diabo lá embaixo. Nenhuma luz cristalina, nenhuma chama de pecado.

 

 

Na vacu-i-dade nenhum musgo na pedra que não rola.

Nenhum porteiro à espera cobrando pedágio.

Nenhuma peça de quebra-cabeça para recolher, nenhuma adivinha confundindo a cabeça.

Nenhum bicho-papão escondido à noite. Nenhum ladrão perdido no caminho!

Nenhum olho chorando, nenhum ouvido espiando, nenhum nariz coçando,

Nenhuma língua mentindo, nenhum corpo para banhar ou mente para enfeitiçar!

 

Nenhum cabelo vermelho, nenhuma piada para contar, nenhum armário vazio,

nenhuma rosa para cheirar, nenhum toque de asas de anjos.

Nada disso!

Você acha isso triste. Uma grande confusão.

E também nenhuma visão, nenhuma consciência.

 

Nenhum rei. Nenhum bobo. Ninguém entre os dois.

Nenhuma noite sagrada! Nenhum sempre-foi-assim

Nenhum túmulo à vista mas também nada a perder de vista.

Do berço para a sepultura, do túmulo para o bebê. Lutar não é preciso!

Nenhuma lágrima nos olhos, nenhuma cereja no céu.

Nenhuma história, nenhuma canção (essa tolice já tem tanto tempo, desculpe),

mas nesta não-canção um bodhisattva dá um salto de repente

Sem caminho à frente. Sem caminho atrás. Sem obstáculo, nem medo. Não importa!

 

 

Em cada respiração, um milagre, um presente, um dom; espero que essa rima ofereça algo bom.

Que você se sinta não tão pequena mas realmente, verdadeiramente, muito grande

Como uma árvore com galhos que se estendem por tudo.

Como folhas que crescem, brilham e caem.

Pois quando seus galhos crescerem

e penetrarem a escuridão e desaparecerem

Para tocar o esquecido, o recordado, o que ainda será,

Você terá anuttara-samyak-sambodhi.


 

Mas é um empréstimo, que deve ser dividido e beneficiar.

E é por isso que este mantra é tão perfeito

Este mantra bobo que flui tão fácil,

E acaba completamente com toda dor; é verdade!

Oh, querida! O que sua mãe diria?

Neste mesmo dia! O que ela diria?

Gate! Gate! Paragate! Parasamgate!

Bodhi Svaha! É isso que ela diria!

 

Mas o que você diria? Neste mesmo dia?

Minha tenra menina, minha louca menina?

Que palavras cantam uma canção no silêncio, uma dança no escuro?

Tuííi! Tuiúú! O que fazer?

Pegue um bote. Afunde ou flutue.

De qualquer maneira cruzamos a baía. Hurra!

 

Texto: © 2011 by John Pappas. Todos os direitos reservados. Este texto está sendo publicado por Dharma/Arte em acordo com o autor. A reprodução total ou parcial, sem autorização escrita, é estritamente proibida.

Ilustrações: © 2011 by Ed Cross. Todos os direitos reservados.

John Pappas é um praticante zen relutante (com uma pequena queda para o sabor vajrayana), oscilando entre o relativo e o absoluto nas Grandes Planícies do estado norte-americano da Dakota do Sul. Escritor em ascensão em periódicos budistas, bibliotecário e aspirante a fantasma faminto, John espalha o dharma em seu blog pessoal, Subtle Dharma Mouth Punch, assim como no efêmero Elephant Journal e ocasionalmente (embora não tenha nenhuma habilidade artística) em Dharma/Arte. John também ama tacos, cerveja caseira o obscuras referências Cthulhu. Pode ser encontrado no Twitter em @zendirtzendust.

Ed Cross é ilustrador, designer gráfico e devotado pai budista. Suas mensagens sobre design podem ser acompanhadas aqui, e as sobre Dhamma, aqui. Conheça seu trabalho e entre em contato aqui.

Ideias são coisas: o Sutra do Coração para crianças | 2011 | d/a magazine | Comentário/Comments (0)
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