o futuro da ciência… é a arte? (2)
Jonah Lehrer

À primeira vista, a física parece particularmente distante da esfera subjetiva das artes. Suas teorias são extraídas de misteriosas equações e dos detritos subatômicos dos superaceleradores. Essa ciência insiste continuamente em que nossas intuições mais fundamentais sobre a realidade são na verdade ilusões, um triste mito dos sentidos. Os artistas apoiam-se na imaginação, mas a física moderna a excede. Para parafrasear Hamlet, há mais coisas entre o céu e a terra ― matéria escura, quarks, buracos negros ― do que jamais poderíamos sonhar. Um universo tão estranho somente poderia ser fruto de uma descoberta.
Mas a natureza surreal da física é precisamente a razão pela qual ela precisa da ajuda dos artistas. A ciência progrediu além de nossa habilidade de compreendê-la, ao menos em qualquer sentido literal. Como afirma Richard Feynman, “nossa imaginação é exigida ao máximo, não, como na ficção, para imaginar coisas que não estão realmente lá, mas apenas para compreender o que está lá”. É um fato bruto da psicologia que a mente humana não é capaz de compreender as dimensões de dois dígitos da teoria das cordas, ou a possibilidade de universos paralelos. Nossa mente evoluiu em um mundo simplificado, no qual a matéria é certa, o tempo caminha para a frente e onde há apenas três dimensões. Quando nos aventuramos além dessas intuições inatas, somos forçados a recorrer à metáfora. Esta é a ironia da física moderna: ela busca a realidade em sua forma mais fundamental; no entanto, somos totalmente incapazes de compreender esses fundamentos para além da matemática que usamos para representá-los. A única maneira de conhecer o universo é através da analogia.
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