o espaço no meio:
o legado teatral de chögyam trungpa (1)
Lee Worley
Foto: Nina Maria Mudita
Vajrayana: o caminho dos meios hábeis
Centenas de deidades e mandalas marcam as várias tradições vajrayana do Tibete, servindo como apoio à prática da meditação. Ao visualizar uma imagem que representa sua natureza fundamental, o praticante entra em sintonia com essa natureza em sua forma pura e não distorcida. A mente é refletida de volta para si mesma. Esses antigos métodos vão diretamente ao coração daquilo que é o objetivo da prática da meditação — liberar o meditador da fixação e do apego a coisas impermanentes, objetos, pessoas ou ideias. É nosso apego que causa sofrimento. Essas deidades e mandalas são “meios hábeis” porque têm o potencial de despertar-nos para a liberdade nesta vida.
Chögyam Trungpa foi um grande mestre desses meios hábeis. Ao encontrar a consciência ocidental, no entanto, compreendeu que, para que seus estudantes integrassem os ensinamentos do dharma do Buda às suas maneiras de ser, em vez de simplesmente adotarem formas externas tibetanas e usarem-nas como um entretenimento a mais, ou como o que ele chamava de materialismo espiritual, traduções precisavam ser feitas. Por exemplo, ele abandonou a vida monástica, casou-se e teve filhos. Sentia que a vestimenta e tudo o que ela implicava era uma atração exótica demais, que, em vez de servir de apoio à mensagem da vacuidade e da ausência de ego, elas se tornariam outra “viagem”…
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