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Chögyam Trungpa

Foto: © Thea D. Boldt

Abordar o simbolismo com base em seu desejo de constantemente aprender mais e mais é questionável, pois nisso tem lugar muita agressão. Não no sentido de vocês terem raiva, ou de perderem a paciência, mas agressão como um obstáculo fundamental. Todas as coleções em que vêm trabalhando, e nas quais continuam a trabalhar, são questionáveis. Quando estão realmente com raiva, seus olhos ficam vermelhos e vocês não conseguem ver propriamente; começam a gaguejar e não conseguem falar propriamente. Tornam-se um vegetal insignificante. Esse tipo de agressão é o maior obstáculo à percepção, a que percebam o simbolismo. Se vocês realmente veem a cidade de Boulder, se realmente veem as montanhas de Boulder ou os céus de Boulder, não há agressão. No entanto, tenho certas dúvidas sobre se vocês realmente os viram. Essa observação não é condescendência, não estou rebaixando sua honrável existência. É um lembrete. Talvez vocês não tenham reunido nada do que lhes permita experimentar o que deveriam experimentar. Isso é bem possível, pois a agressão é muito poderosa. Quando projetam em direção a um objeto, vocês querem capturá-lo, como uma aranha captura uma mosca, e suga seu sangue. Vocês podem se sentir renovados, mas isso é um grande problema. A definição de dharma/arte, assim como sua iconografia, é a experiência pessoal da não-agressão.

Há mais na agressão do que perder a paciência ou bater no marido ou na esposa ou no filho, ou ter uma briga com seus vizinhos. Tudo isso é simplesmente um subproduto da agressão. A verdadeira agressão tem lugar em nossa mente, em nosso coração. Faz nosso sangue ferver. Pode ofender-nos e tornar-nos tão completamente estúpidos que não podemos sequer ver.

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Dar | 2010 | d/a magazine
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