A a r t e c o m o p r á t i c a e s p i r i t u a l
Meredith Monk

Foto: Erin Koch
Conheci Chögyam Trungpa em Nova York, em 1974, durante uma de suas primeiras palestras na cidade. Devo dizer que o encontro foi um tanto engraçado, porque apenas apertamos as mãos – nada passou pela minha cabeça, nada. Pouco depois, estive um tempo na abadia de Gampo, na Nova Escócia, Canadá. Quando contei a Ane Migme, uma das monjas da abadia, que durante aquele encontro nada havia passado por minha cabeça, ela disse: “Oh, então foi um encontro muito bom: ele lhe mostrou a brecha, e isso é muito auspicioso”.
Os assistentes de Trungpa haviam feito uma longa explicação sobre meu trabalho: que se tratava de música como meditação, teatro budista etc., mas no exato momento em que olhamos um para o outro, todas as minhas “realizações” pareceram sem importância. Meu pensamento ficou paralisado; sabia que não havia nada que pudesse dizer com exatidão. Isso foi muito instintivo, porque até então não estudara nada do budismo, não realizara nenhuma prática formal, mas tive a sensação de que meu palavreado conceitual era irrelevante. Literalmente, fiquei sem palavras…
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