O p r i n c í p i o d o d r a l a (1):
i l i m i t a d o s c a m p o s d e p e r c e p ç ã o
Bill Scheffel

Foto: Bill Scheffel
Tive a grande felicidade de ser kusung de Chögyam Trungpa durante os trabalhos nas duas instalações de dharma/arte que ele criou com seus estudantes na Califórnia. Na primeira delas, em Los Angeles, acompanhei-o de seu carro até um círculo de atentos estudantes que o aguardavam em pé em um depósito vazio e empoeirado. Rinpoche parecia não ter nenhum plano, nenhuma ansiedade, nenhuma hesitação, e um enorme quociente lúdico. De instrução em instrução, e ao longo de duas semanas, ele e seus estudantes fizeram daquele depósito vazio uma sala de flores e de design desperto.
A cada dia, Trungpa Rinpoche saía para excursões pelo campo, por lugares onde poderia encontrar um ramo de pinheiro ou crisântemos frescos. Ele se divertia pedindo-me para que descobrisse de antemão quanto cada viagem duraria, pois, independentemente da distância ou do caos do trânsito, a resposta típica de Los Angeles era sempre: “Cerca de vinte minutos”.
Durante essa mesma visita, Rinpoche foi informado, quando nos aproximávamos da porta principal, de que John Lennon havia sido assassinado. Quase sou capaz de ver o terno que Rinpoche usava, mas não me lembro do que ele disse. Essa memória compartilhada, ainda procuro por ela. Penso que deveria suplicar por seu retorno. — Bill Scheffel, novembro de 2009
Introdução ao princípio do drala
É possível que tenhamos tido interesse pelo nosso mundo quando éramos pequenos, mas então nossos pais, que já possuíam um elaborado sistema para lidar com o mundo e ao mesmo tempo para proteger-se dele, nos ensinaram a manuseá-lo. Quando aceitamos esse sistema, perdemos contato com o frescor e a curiosidade da experiência. — Chögyam Trungpa
O “princípio do drala” refere-se ao conjunto de ensinamentos que o mestre budista tibetano de meditação Chögyam Trungpa apresentou na última década de sua vida, de 1978 a 1986. As raízes do princípio do drala precedem a introdução do budismo no Tibete e são encontradas nas tradições nativas desse país — e de todos os países. O princípio do drala aplica-se não apenas a praticantes budistas, mas a qualquer um. Esses ensinamentos falam ao coração, quer se tenha, por assim dizer, uma motivação religiosa, artística ou política.
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